4.2.12

Nadir Afonso "L' Ange de Gabrielle"


Raios concêntricos em sobreexposição. Rostos angulares perscrutando o vazio da folha. Campos abertos da memoria, relicários de tempos paralelos em espirais indefinidas. A dança da turba ondulante no sopro cadencial. Desejo exumado no num crepitar de cor. Linhas resgatadas aos livros, interrompidas . Compassos de dor e aceitação. Parábolas descritas para fora do centro. Voos rasantes no firmamento iludindo a gravidade.

Palavras de ordem. Murros na mesa. A exaltação das massas. O aperto do nó cego. O aperto das massas. A apatia anunciada do desespero. O deslumbramento do crepúsculo. A vertigem do fim do caminho. A voragem pelo fado e pelo enfado. Pontos de fuga. Perspectivas de escape. Braços estendidos ao sol da manhã. O consolo da mulher do pescador. O enrugar da folha. Os lençóis deslavados. A afinação da orquesta. O quebranto do tenor. A quimera verosímil. As odes do dia. O silêncio. O aconchego da manta. A serena contemplação. A página em branco.

1 comentário:

nada disse...

a pagina que me inebria... essa tua em branco!!