Há uma fina camada de cepticismo escorrendo pela janela. Percorre o quadro outonal com um olhar resignado, mas não moribundo. Um pequeno fervor humedece-lhe a retina. Balança a sua cabeça sobre o seu pulso firme. Hesita em dizer algo. Tacteia os bolsos num gesto abrupto e mecanizado. Prefere um cigarro. Acende-o, como se a vida dependesse da rapidez com que faz rolar a pedra. O tempo urge, o tempo consome, e no entanto, entre o pulsar da inquietude ninguém conta os segundos. Que alma burocrática se daria ao trabalho? Porém, o céu move-se diria ele desligado da Astrofísica e ciências que tais. Pois, o tempo... O tempo não é para postulados e corolários, as nuvens vêem com um pressagio e, é preciso escutá-lo. Mas primeiro, será melhor calar esta voz que me atormenta, esta ladainha que me faz resvalar para o Conto, para a Quimera e as filhas dela. Ah!!! Que som tem o Tempo, sem nós para o contar?
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