28.6.10


este mergulhar no vazio de uma água transparente que me cobre de todas as cores, todas as dores, sabores e odores. este querer morrer assim mergulhada na opacidade de uma água que se queria transparente. este desfazer lento dos sentidos que inebriam e mentem e omitem a transparência.
a procura da vida em cada um dos dados obtidos, impostos, aparecidos, requeridos. a sua ausência nos desejados.
visões!
são visões isto que me conduz, que me transporta e que espreita pela água que me escorre e não me limpa nem lava nem em mim se impregna. são visões isto que me arrasta e empurra sem piedade e contemplação. são mentiras vestidas de verdade. e com elas me obrigam a andar de mão dada, criança de vestido às bolinhas e tranças presas na cabeça. mulher de vestido negro, curto, pelo joelho, um salto alto equilibrante, um rímel espesso. as mesmas mentiras vestidas assim de verdade, que empurram. que arrastam.
entram as duas no mergulho da água e ambas assim se esmagam, menina e mulher!

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