9.5.10

Uma cadeira tremendo ao rebentar das ondas. Asas planando contra o vento. Cabelos agitados contra a face. O odor das algas apanhado na nuvem de orvalho quente. Redes batidas pelo manto de areia fina. Sal beijando a pele repetidamente. Um raio de sol descendo sobre a testa. O soar abafado de passos distantes. O crepitar da espuma. O meu corpo inerte sobre as pequenas elevações de areia. O toque suave da toalha. Gotas pingando das orelhas. O sabor do mar nos teus lábios. O apagar dos passos num espelho de água que avança preguiçosamente. O barulho das penas cortando o ar. O horizonte esfumado em luz. O cintilar das águas. Um novo e longo mergulho. A respiração suspensa. Os braços remando no borbulhar da rebentação. Olhar em volta. O fundo sem fundo. Deslizar nas correntes. O sol queimando o rosto molhado. Esbracejar sem esforço até à margem. O erguer trôpego no fundo revolvido. Torcer os calções. Olhar de volta. O peito soprado de vida. A respiração com vida própria. Fechar os olhos contra o sol, e ver planetas movendo-se no limiar da retina. Onde estive eu este tempo todo?

1 comentário:

Kapikua disse...

a viajar por dentro de ti...