chama o tempo pela saudade.clama-o num sussurro, uma ventania sabendo a brisa de encontro à dureza deste jogo solitário.
chama o tempo pela saudade.Há uma fina camada de cepticismo escorrendo pela janela. Percorre o quadro outonal com um olhar resignado, mas não moribundo. Um pequeno fervor humedece-lhe a retina. Balança a sua cabeça sobre o seu pulso firme. Hesita em dizer algo. Tacteia os bolsos num gesto abrupto e mecanizado. Prefere um cigarro. Acende-o, como se a vida dependesse da rapidez com que faz rolar a pedra. O tempo urge, o tempo consome, e no entanto, entre o pulsar da inquietude ninguém conta os segundos. Que alma burocrática se daria ao trabalho? Porém, o céu move-se diria ele desligado da Astrofísica e ciências que tais. Pois, o tempo... O tempo não é para postulados e corolários, as nuvens vêem com um pressagio e, é preciso escutá-lo. Mas primeiro, será melhor calar esta voz que me atormenta, esta ladainha que me faz resvalar para o Conto, para a Quimera e as filhas dela. Ah!!! Que som tem o Tempo, sem nós para o contar?

vozes que anseiam ser toquevozes que desejam ser cheiro
vozes que aspiram ao paladar
entre nós e o nosso segredo, perdido no cansaço daquele e deste dia ao dia, buscamos na lembrança dessas outras vozes que agora espreitam, nós e o nosso segredo...
raízes apodrecidas
raízes ruidosas
e éramos apenas nós e o nosso segredo!


onde te perdi?
agora estamos aqui. eu deste lado e tu assim rasgado!
a luz entinguir-se-á!
II
vá,
III
desenrolas cada uma das minhas palavras à volta dos teus dedos.
